Só para perceberem o tamanho da minha indignação, vou tentar resumir o que aconteceu hoje...
Assisti duas audiências, uma de um processo trabalhista, e outra de um processo na vara de família. Na primeira, o horário para começar estava marcado para dez horas da manhã. Cheguei lá com a minha chefe às 9 e 15, pois era um caso complicado e precisávamos conversar com as testemunhas. As audiências com aquele juiz deveriam ter começado às 9 horas, mas ele ainda não tinha chegado. E todas estavam marcadas para acontecerem de 10 em 10 minutos. Aí, aproveitamos pra assistir as audiências que aconteciam antes da nossa, sendo que em cada uma delas, o juiz demorou mais ou menos meia hora pra encerrar, pois ele chamava as partes pra uma "salinha" pra pressionar um acordo, e tinha pessoas que não estavam interessadas. E entre uma audiência e outra, ele saía pra tal salinha reservada, sozinho, e ficava vários minutos lá dentro, enquanto todos estavam prontos, com cara de tacho, só esperando o "bonito" pra audiência começar. E nós acompanhando, e o tempo passando... Resultado: a audiência começou às 12:15 e terminou às 13:15 (estava marcada pra acontecer em 10 minutos). Porque diabos um juiz do trabalho, inteligente (pressuponho isso, pois passar num concurso pra juiz não é nada fácil) e estudado, faz esse tipo de coisa?
Já na segunda audiência, o caso era de um rapaz que tinha feito um acordo judicial com a ex-mulher pra poder visitar o filhinho, que ficou sob a guarda dela, mas quando ele chegava pra buscar, ela nunca o deixava levar a criança. Nós estávamos representando esse rapaz, que entrou com uma nova ação pra regularizar as visitas ao filho. Quando começou a audiência, o juiz não deixou ninguém respirar, sequer a minha chefe falar, e já deu a palavra pro advogado da outra parte (que deve falar sempre DEPOIS do advogado da parte autora, no caso, minha chefe). Ele já foi justificando o porquê de a cliente dele não deixá-lo ver o filho, que fulano fumava na casa dele e a criança tinha bronquite asmática, aí o juiz já foi dando xingão no coitado do cara, sempre se reportando a ele, e nunca à advogada (advogados são contratados porque ninguém pode ir a juízo em causa própria, tanto que quem faz as perguntas e conversa com o juiz representando as partes é APENAS o advogado). Várias vezes a minha chefe tentou falar e argumentar. E ele nunca a deixava falar. No entanto quando o advogado da outra parte começava, ele sempre o deixava explicar as razões da cliente dele tranqüilamente. Então, o advogado da mãe da criança mencionou que iria entrar com uma nova ação pra aumentar o valor da pensão alimentícia... E o advogado simplesmente disse que dava pra resolver tudo nessa audiência, e começou a pressionar o cliente (sem NUNCA deixar a advogada falar) a pagar uma pensão mais alta... Sendo que isso nem estava sendo discutido nesse processo!! Aí, como a mania das pessoas é pagar pra não se incomodar, o coitado do cara aceitou a pressão do juiz, mesmo que a minha chefe tenha dito que não era pra ele se submeter, e tudo isso pra não deixar a mulher entrar com uma nova ação. Detalhe: o juiz teve a arrogância de dizer que cem reais a mais por mês não era tanto dinheiro pra ele pagar ao filho... Claro, cem reais, para quem ganha 15 mil, como ele, deve ser TROCO mesmo! Se referiu ao relacionamento da mãe com a criança como o "de um gambazinho com a sua mãe", usando esses exatos termos, julgou que o nosso cliente poderia pagar pensão maior apenas pelas roupas que ele usava e pelo fato de ele ter contratado uma advogada particular pra representá-lo (sendo que os honorários serão uma merreca)...
E eu, que quase nem sou esquentada e fico FULA com injustiças, só faltava dar PULOS na cadeira!
Disso, tiro apenas uma conclusão positiva... Defender a causa do cliente independente dos meus pré-conceitos está se mostrando mais fácil do que eu imaginava...
Preciso aprender, como a minha chefe, a me manter calma e com foco em situações como essas, pois vou me deparar com muitos outros profissionais prepotentes e sem respeito, como essas duas criaturas de hoje.